quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Sobre Roupas e Arco-íris



Como de costume, sentávamos nas tardes quentes na nossa varanda, onde o vento seco corria e entre os afazeres dela conversávamos sobre o dia-a-dia, sobre a vida que cruzava nas calçadas alheias.

Nos olhos, reluzia o brilho das grandes mangueiras já amareladas do sol, que vez e outra lançavam ao chão uma manga madura e o seu barulho interrompia a conversa.

Ela, sensível e delicada, neste dia meteu-se a lavar as roupas da casa, com tamanha sutileza que eu reparava mais nos gestos das mãos, na forma de tocar as roupas, do que na conversa, e aqueles gestos tão doces me remetia aos tempos de criança quando ela penteava meus cabelos.

O barulho da água tocava aos ouvidos como uma deliciosa música e só era retirado quando lentamente ressoava as suas palavras. Neste ir e vir de palavras e águas aos poucos nosso quintal era invadido por roupas.

A tarde vai caindo, roupas lavadas, quintal molhado, varal de azul, amarelo, verde e vermelho, outro cenário se formava em meio às plantas.

Ao acabar, aquela mulher de cor tão alva e que leva no seu caminhado charme, delicadeza e tranquilidade, tem no seu olhar um brilho de cansaço e satisfação que a reluz mais ainda, era como se estivesse pronta para uma festa. Toda molhada, por entre as roupas que gotejavam, pacientemente  e inesperadamente minha mãe solta uma pergunta:

- Sabe por que gosto de lavar roupas?
Respondo:
- Não! E não gosto de lavar roupas cansa muito
E na doçura da sua voz ouço:
- Por que o quintal fica todo colorido, vira um arco-íris!

Não respondo... me deixo ser tomada pelo arco-íris que minha mãe pinta cotidianamente com nossas roupas. 

Nanda
Para minha mãe

domingo, 16 de dezembro de 2012

Hai - Kai para Malu (na barriga)



 I

Ela pula, roda
Mexe,
Dá uma chutadinha!

 na verdade esse eu peguei trecho de uma cantiga de roda que  cantávamos na infância
 vamos ensinar pra malu!só mudei a última palavra. Nem é um hai-kai mesmo, mas é o da Malu!


II

Oitavo mês
Barriga estufa
Malu chuta


Nanda p/ Malu, Nani e Rodrigo ( a família que amo)
obs: pq ontem malu chutou minha mão!

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

FIM


Um baú cheio de silêncio.

Nanda

Meu último pulsar por você



Amor é coisa que simplesmente aparece
assim como uma nuvem que vem num lindo dia de céu azul
e passa vagarosamente.
As horas  bem que passa...o amor, esse insiste em vagar nos meus dias, é como um trem
que sempre volta para a estação

O amor
 tem sido doloroso, frio como a chuva
que cai todos os dias aos poucos, o sol vez e outra visita a janela
mas rapidamente a chuva inunda cada pedaço do que habito e do que habita em mim.

Logo vai chegar a primavera, sei, flores se abrem

e vou poder soltar minha dor de amor pelas ruas, no meu
caminhar.
Tenho esperado a primavera assim como a estação espera todos os dias o trem
por que dor de amor pesa demais
eu bem que podia ser passarinho pra soltar essa dor no ar

Mas nasci bicho gente, daqueles que acreditam em amor eterno

e refaz caminhos já feitos, igual a um trem de volta a estação... Valei-me deus!!!
Sou fadada, portanto ao amor sem fim, sofrer sem fim
amar sem fim

O amor que às vezes é primavera outras inverno

tem doído, corrói meus trilhos, estremece minhas veias
mas ai eu clamo, imploro a noite a sua chegada
e adormeço... O outro dia? Ah! O outro dia renasce
assim como o trem que chega vagarosamente na estação e eu sofro de amor novamente
valei-me deus!!!!!


Nanda

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Sentimento oceânico é prosa








Nesses dias em que o sol está bem amarelo
nas folhas verdes
em que o azul só tem sentido quando olho para o céu
e o mar teima em se fazer reinar
A lembrança do rio que corre
sob a sombra do tamarindeiro
me toma
e o vejo em todo lugar...

Não sinto mais cheiro de nada
só o rio
Não sinto o vento que vem do mar
só o rio
Não entendo mais o que é o brilho
só o rio
Não reconheço outros peixes
só o rio.

Rio
piaba
pescador
lavadeira
barqueiro
Só
o rio.

Todas as turbulências da vida
se afundam na correnteza
do rio
As incertezas se afogam na correnteza
do rio
Tudo se acalma quando algo se torna só meu
meu rio

Meu é o rio que só brilha nos meus olhos
que trago nos ouvidos com o som das barcas a atravessá-lo
que sufoca o meu nariz
ao desentupí-lo com seu cheiro que lhe é tão peculiar

Já sentiu o cheiro do rio?

Mas não é qualquer rio
que tem o cheiro renitente
não é qualquer rio que te toma
e te coloca numa riosia
esse rio que tem sentido
esse rio que dá sentido
é o rio que corre.

Tá, tudo bem, todo rio corre...

Mas nem todo rio

é Rio Corrente!!!!




                                                  nani    24 de outubro de 2012.
 

domingo, 21 de outubro de 2012

hai-kai da gravidez:



barriga grande
 
pés inchados
 
édipo não é rei, é rainha!
 
                                                                  nani 20 de outubro de 2012.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Para a sua saudade


Mesmo no silêncio
eu farejo a saudade
esse bicho meio gente,
meio sentimento
que insiste em perturbar
o roncar da noite

E não vai embora
mesmo com tantas
cores por ai...e por vir
quem disse que a
saudade não pode
ser colorida?

ela é amarelo, ora!
amarelo ouro,
amarelo é sorriso

saudade é outra coisa
tem cheiro de chuva
molhando a terra
barriga rocando com fome

a velha música tocando
e o pôr do sol que só se vê
da janela do décimo primeiro
andar

saudade é coisa que passa
dá e passa, mas fica, por que
mora ao lado da alegria, e tem como
companhia as coisas “findas”...

Nanda